Mergulho profundo

26/10/2018

Suely Nercessian Corradini, diretora do Vital, fala sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil e do Fundamental.

O que o Vital tem feito para atender às determinações da BNCC?
Em uma palavra, estudo. Muito estudo. Desde a homologação da Base, em dezembro de 2017, organizamos nossa equipe em grupos de estudo para analisar o documento, que é bastante extenso e complexo, em etapas. Nosso foco inicial foi a Educação Infantil e o 1º ano. Buscamos entender o que a Base determina para esse período como um todo; em seguida, dividimo-nos em subgrupos dedicados a cada ano. Agora, em agosto, direcionamos o foco para o Fundamental, do 2º ao 9º ano. Se tudo der certo, teremos nossa proposta de Educação Infantil alinhada à Base já no ano que vem; a do Fundamental, em 2020, que é o prazo dado pelo Governo Federal.

Quais as principais mudanças que as famílias poderão esperar?
Na prática, o que a Base exige nós já oferecemos – e vamos muito além. Comparamos nosso planejamento com a Base, cotejando minuciosamente as habilidades e competências que ambos os documentos trabalhavam. Em sua maior parte, as poucas diferenças dizem respeito a questões de nomenclatura ou à série em que algum objetivo deve ser atingido. No mais, faremos esses ajustes e ainda manteremos os componentes que não são pedidos pela Base, como Educação Psicomotora, Orientação Alimentar, Higiene e Recreação, Música, Informática e Xadrez.

Algum grande desafio?
O maior desafio talvez seja compatibilizar os objetivos em termos de faixa etária, para que não haja lacuna na formação de nenhum aluno. Há casos de inversão de conteúdos, por exemplo, em que um conteúdo de 5º ano passa a ser de 6º, e vice-versa. Se não tomássemos cuidado, um aluno receberia o mesmo conteúdo duas vezes e perderia outro. O certo seria a aplicação gradativa da Base, ajustando-se os programas de cada série, uma série por ano, mas, seja como for, estamos preparados para atender ao que manda a lei.

Para além de cumprir a lei, há benefícios trazidos pela Base?
Em termos de nação, o mais importante benefício da Base é o movimento no sentido da equidade na oferta de uma educação de qualidade. Mas há um outro ganho de fundo em todo esse trabalho, mesmo para escolas cujo ensino já é forte. A BNCC é fruto de um debate que vem de longe, sobre como garantir que a atuação das escolas tenha significado. Estudar esse material, participar de palestras e seminários e discutir com outros educadores são oportunidades de refletirmos sobre nosso próprio trabalho com um alto nível de detalhe; um mergulho profundo, que previne que entremos no piloto automático. Toda vez que você para e revê o que faz, você tem ganhos qualitativos. Você envolve a equipe de uma forma que todos passam a estudar mais, a perceber outras demandas e novas oportunidades de evolução.